Governo quer transformar Museu Nacional em Palácio Imperial e despreza acervo

A proposta conta com apoio de monarquistas ligados ao Planalto

O governo Jair Bolsonaro está atuando para transformar o Museu Nacional em um memorial dedicado à família real, que governou o Brasil durante o período monárquico, compreendido entre 1822 e 1889, quando ocorreu a Proclamação da República.

O Museu Nacional sofreu um incêndio em 2018, que deixou seu prédio e seu acervo, parcialmente destruídos, causando irreparável perda para a história do Brasil. Embora a fachada não tenha sucumbido ao fogo, o interior e o telhado da construção ficaram gravemente danificados. Das trinta e sete coleções que compõem o acervo museológico, 17 sofreram foram danificadas ou perdidas, enquanto 13 foram recuperadas.

De acordo com a Folha de São Paulo, a proposta de descaracterização do museu está sendo levada adiante por entusiastas da monarquia de dentro e de fora do governo Bolsonaro, e tem como principal fiador, o Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, membro da ala ideológica e próximo ao movimento monarquista. O chanceler já realizou reuniões sobre o assunto e colocou assessores para acompanhar a reestruturação do museu.

Entre os apoiadores da ideia, estão o deputado federal do PSL, Luiz Philippe de Orléans e Bragança, descendente da família real, o Secretário Especial de Cultura, Mario Frias, e expoentes do alto escalão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão do governo federal responsável pela preservação do patrimônio cultural brasileiro, como a presidente da autarquia, Larissa Peixoto, casada com um policial federal amigo da família Bolsonaro, e o superintendente regional do Rio de Janeiro, Olav Antonio Schrade, ligado ao movimento monarquista, “Brasil-Real”. Ambos sem formação e qualificação na área de preservação de patrimônio cultural.

Dentro do Ministério da Educação (MEC), o assunto é tratado com discrição, sem o conhecimento da UFRJ e da direção do Museu Nacional, o que segundo a reportagem da Folha, é motivo de estranheza na universidade e no museu.

O diretor do Museu, o paleontologo Alexander Kellner afirmou que a instituição não foi consultada sobre eventuais alterações no projeto de recuperação do museu, enquanto a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho considera uma tentativa de golpe e afirma não acreditar que o MEC tomaria uma medida, que enfraqueceria ainda mais as ciências no país.

O Museu Nacional, está implantado no Palácio de São Cristovão, na Quinta da Boa Vista, desde 1892, o que faz dele a mais antiga instituição científica e cultural do Brasil. Possui grande importância acadêmica e elevada relevância para as pesquisas nas áreas de antropologia social, arqueologia, zoologia e botânica. O equipamento cultural é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde a década de 1930.

O museu guarda importantes coleções, que compõem um acervo de grande importância científica e, entre inúmeras peças de elevado valor científico, estão Luzia, o fóssil humano mais antigo da América do Sul.

O projeto dos monarquistas é reconfigurar o palácio para o transformar em um centro dedicado ao período imperial brasileiro, para isso, se valem do argumento de que esta ideia teria apelo turístico e preservaria a memória do país. O valioso acervo museológico de cunho científico seria alocado em um anexo do prédio.

Com informações da Folha de São Paulo

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