Fiocruz aponta maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil

Boletim do Observatório Covid-19 apresenta dados alarmantes

A Fiocruz apresentou na última terça-feira (16), um retrato estarrecedor do cenário da pandemia no Brasil. A instituição divulgou mais uma edição do Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz. Os indicadores apresentados apontam uma situação extremamente crítica em todo país. Para os pesquisadores que realizaram o estudo, estamos diante do maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil.

O Observatório Covid-19 da Fiocruz produz uma série histórica de taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 durante a pandemia no Brasil, onde podemos visualizar no mapa, as mudanças nas taxas dos estados no decorrer dos meses (Canal Fiocruz no Youtube)

O Boletim mostra que, no momento, das 27 unidades federativas, 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) iguais ou superiores a 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%. Em relação às capitais, 25 das 27 estão com essas taxas iguais ou superiores a 80%, sendo 19 delas superiores a 90%.

Taxa de ocupação (%) de leitos UTI Covid-19 para adultos (Imagem: Fiocruz)

Para conter a pandemia e evitar que o número de casos e mortes se alastrem ainda mais pelo país, assim como diminuir as taxas de ocupação de leitos, os pesquisadores da Fiocruz defendem a adoção rigorosa de ações de prevenção e controle, como o maior rigor nas medidas de restrição às atividades não essenciais. Eles também enfatizam a necessidade de ampliação das medidas de distanciamento físico e social, o uso de máscaras em larga escala e a aceleração da vacinação.

Os pesquisadores ressaltam a importância da comunicação efetiva dos riscos de transmissão, cuidados necessários e justificativa das medidas protetivas, assim como, a necessidade de que as ações preventivas ocorram de forma coordenada e com monitoramento do panorama epidemiológico nos estados, “até que a vacinação seja intensificada e atinja uma ampla cobertura vacinal’.

A análise ocorreu a partir de dados das secretarias de Saúde das capitais, dos Estados e do Distrito Federal. Essas informações foram adicionadas à série histórica apresentada pelo Boletim, com dados obtidos desde 17 de julho de 2020.

Medidas de prevenção

Os pesquisadores da Fiocruz reafirmam a importância da restrição das atividades não essenciais. Para eles, cada região deve ser avaliada semanalmente através de critérios técnicos e, nas em que houver ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação do número de casos e óbitos, deve ser aplicada a restrição em nível máximo.

Araraquara: no interior de São Paulo, um exemplo a ser seguido

Em fevereiro, durante um intervalo de cinco dias, Araraquara viu a taxa de ocupação de leitos pular da zona de alerta baixa (56%) para zona de alerta crítica (84%), para nos dias seguintes, atingir o colapso do sistema de saúde, com ocupação de 100% dos leitos de Covid-19 em um período de nove dias.

O município de Araraquara, em São Paulo, vivenciou em um intervalo de cinco dias (entre 1◦ e 6 de fevereiro), um crescimento rápido nas taxas de ocupação de leitos Covid-19, passando da zona de alerta baixa (56%) para zona de alerta crítica (84%). Nos dias seguintes a situação só piorou, atingindo o colapso do sistema de saúde (taxa de ocupação de leitos UTI Covid-19 de 100%) em 15 de fevereiro de 2021. Este cenário acompanhou um crescimento expressivo de casos e óbitos durante os meses de janeiro e fevereiro.

A Prefeitura de Araraquara, em 21 de fevereiro, aumentou as restrições para atividades não essenciais e circulação de pessoas adotando o bloqueio/lockdown, com funcionamento apenas de farmácias e unidades de saúde de urgência e emergência. Durante este período, só foi permitido utilizar ou trabalhar em algum dos serviços em funcionamento. O transporte público não funcionou e supermercados ficaram fechados e atendendo por delivery durante seis dias, retornando em 27 de fevereiro.

As medidas restritivas de isolamento social adotadas pela Prefeitura em fevereiro, incluindo o bloqueio ou lockdown, deram resultado e fizeram cair, ao menos preliminarmente, o número de novos casos confirmados de Covid-19 e a média móvel diária neste início de março. Entre 21 de fevereiro e 10 de março (17 dias), a média móvel diária de novos casos de Covid-19 caiu de 189,57 para 108, uma redução de 43,02%.

Os efeitos para as internações não foram imediatos, entretanto também foram significativos. Entre 25 e 26 de fevereiro, o número de pacientes internados com Covid-19 era de 247, o mais elevado desde o início da pandemia. O que representava uma elevação de 13,3% em relação ao dia do início do bloqueio/lockdown. Esse úmero apresentou uma redução de 28,34% quatorze dias após atingir o pico e dezessete dias após a determinação do bloqueio/lockdown.

Para os especialistas da Fiocruz, o município de Araraquara é um dos exemplos atuais de como medidas de restrição de atividades não essenciais podem não só evitar o colapso ou mesmo prolongamento desta situação nos serviços e sistemas de saúde, resultando na redução da transmissão, casos e óbitos, protegendo a vida e saúde da população.

Fonte: Fiocruz

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